01 maio 2010

Uma Boa Noite de Sono





Chico Buarque diz que a seco não dá, simplesmente não dá. Não sabe como se faz para dormir. Nem ele nem cerca de 54 milhões de brasileiros que ficam de olhos bem abertos vendo a banda passar enquanto o sono não chega. Isso mesmo. Estima-se que cerca de 30% da população brasileira brigue constantemente com o travesseiro antes de conseguir dormir. Pior: cerca de 9% dela (16 milhões de brasileiros) não prega os olhos de jeito nenhum. São os insones crônicos.Essa falta de consideração de Hipnos (o deus do sono na mitologia grega), no entanto, não acontece apenas conosco. O mundo todo dorme menos do que há 100 anos. Em 1910, a maioria das pessoas dormia nove horas por noite. Atualmente, os adultos dormem, em geral, menos de sete horas – um deficit de mais de uma hora em relação à média ideal de oito horas que resulta num bando de trabalhadores-zumbis. Nós. Prova disso é um estudo conduzido nos Estados Unidos que revelou que um terço dos maiores de 18 anos afirma sentir uma sonolência tão pesada ao longo do dia a ponto de comprometer o trabalho e a rotina social.A luz elétrica e as pressões sociais interferem e podem dificultar uma boa noite de sono”, afirma o neurologista Flávio Alóe, do Centro de Sono do Hospital das Clínicas de São Paulo. Tudo culpa de Thomas Edison, que inventou a lâmpada elétrica nos idos de 1880? Claro que não. Mas a evolução da eletricidade permitiu uma revolução nos costumes. Quem imaginaria lá no século 19 que o 21 seria o século “on demand” e “on line” sem espaço para o botãozinho “off”, de desligar? Um planeta cafeinado que não descansa nunca.“Privação constante de sono é altamente prejudicial à saúde”, afirma Flávio Alóe. Sistemas nervoso, cardiovascular, imunológico e endócrino e milhares de reações metabólicas que ocorrem silenciosamente no ser humano são afetados. Uma mera noite em claro já faz um estrago considerável. “As conseqüências variam e vão desde estar animado demais até muito cansado, irritado e com perda de atenção e concentração”, explica Dalva. “Algumas pessoas apresentam dor de cabeça e podem ter prejuízo na capacidade de decisão.”E a aparência geral do cidadão no day after? Além de o emocional ficar em frangalhos, o físico acompanha: olhos com sensação de areia, dores no corpo, palidez e os cabelos que não se assentam de jeito nenhum. “Uma noite maldormida interfere na circulação periférica”, completa a especialista. Os vasos superficiais ficam contraídos e comprometem o fluxo sanguíneo na derme. As células da pele não conseguem metabolizar as toxinas e reter a água necessária. Ou seja, deixar de dormir direito é o caminho mais curto para que aos 30 anos você pareça mais um senhor de 50. Além de todos esses danos à saúde, dormir pouco contribui também para o aumento no risco de acidentes. O desastre nuclear de Chernobyl (na atual Ucrânia), que completou 20 anos em 2006, e o desequilíbrio ecológico causado pelo derramamento de óleo do navio petroleiro Exxon Valdez em 1989, no Alasca, são atribuídos, em boa parte, a erros cometidos por funcionários extremamente cansados que trabalhavam durante a noite e em turnos prolongados. Trabalhadores noturnos também correm maior risco de bater o carro enquanto dirigem na volta do emprego para casa. Tudo isso por conta do horário antinatural que têm de enfrentar. Dia = alerta; noite = sono, lembra? Mas não são poucos os que ganham o pão à noite. Estima-se que um quarto da população economicamente ativa trabalhe em períodos que fogem aos padrões, e que dois terços desses profissionais tenham problemas relacionados ao sono. Imagine a rotina de um DJ, por exemplo, que “pega” no serviço às duas da madrugada e “larga” às 6h? Nem mesmo uma boa canção de ninar vai fazer com que ele tenha um sono pleno e reparador...



“A luz elétrica e as pressões sociais interferem e podem dificultar uma boa noite de sono”, afirma o neurologista Flávio Alóe, do Centro de Sono do Hospital das Clínicas de São Paulo. Tudo culpa de Thomas Edison, que inventou a lâmpada elétrica nos idos de 1880? Claro que não. Mas a evolução da eletricidade permitiu uma revolução nos costumes. Quem imaginaria lá no século 19 que o 21 seria o século “on demand” e “on line” sem espaço para o botãozinho “off”, de desligar? Um planeta cafeinado que não descansa nunca

Uma Boa Noite de Sono


A melhor forma de dormir é se preparar para o sono. Ter uma boa noite de sono, dormir numa cama bem macia e aconchegante, é o desejavel para o refazimento físico. Para isso, é bom ter um colchão que atenda nossas necessidades.
O sono para ser reparador, tem a ver com a qualidade e não somente com a quantidade das horas em que ficamos deitados, a qualidade do colchão influencia diretamente até em nosso humor, pois uma noite de sono mal dormida, não estimula a produção dos hormônios necessários e prejudica o desenvolvimento das atividades do dia.
Quando voce adormece, a temperatura do seu corpo comeca a cair. Para diminuir a temperatura do corpo, transpiramos. A primeira camada do colchao absorve essa umidade e para deixa-la  afastada do corpo, hoje em dia sao encontrados exemplares da Auping ( 
http://auping.com.br ) as camadas internas posssuem estruturas abertas que transportam a umidade para a parte mais baixa do colchao. Uma tela tridimensional de Jersey eh a base da respiracao do colchao, que em combinacao com a malha metalica da cama asseguram a ventilacao maxima.
A função do colchão ortopédico é ser anatômico, melhor dizendo, é não ser extremamente duro, por ser uma caixa como alguns que foram lançados mas se adaptar a anatomia de quem deita sem afundar onde se tem maior peso corporal, o afundamento do colchão quando sofre a pressão do peso, danifica e causa dor ao corpo. Já no colchão de espuma, como dissemos antes, se for muito mole danifica a coluna, a espuma deve ter densidade proporcional ao peso e altura da pessoa que ira domir nele. A verificação da densidade do colchão é muito importante, muitos colchões saem da fábrica com os indicativos de densidade, afim de facilitar para o comprador.
Na escolha de um colchão de molas, deve-se consultar qual o tipo de molas ele é constituído, as molas precisam oferecer qualidade de resistência ao peso/pressão corporal, elas, as molas, devem oferecer resistência para estabilizar o corpo sem oferecer danos.
A melhor maneira de escolher um colchão é testa-lo e considerar sua capacidade de resistência, não ao tempo de vida útil, isso cada um tem que oferecer de acordo com sua composição, mas resistência e conforto anatômico proprocional a cada um, por isso é fundamental conhecer a densidade. Existe uma tabela que auxilia na escolha da densidade. 
A escolha do cochão deve ser analisada sob esses pontos e avaliar o que melhor se adequa a necessidade de cada um, após a escolha, é hora de ter um bom sono.



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Cama chic
Às 23:00 hs de uma segunda-feira fria chego a alameda Gabriel Monteiro da Silva, meca dos móveis de luxo no Brasil. O destino era a loja Collectania, que representa a marca Auping, fabricante holandesa de camas que investe há 118 anos em pesquisas e tecnologia voltadas para o bem dormir. Ali, todo pimpão, experimentaria uma boa noite de sono na que é considerada a melhor – e também a mais cara – cama existente em território nacional. Na área da loja destinada aos test-drives soníferos, vesti meu pijaminha Calvin Klein e dei um mergulho macio. A sensação era de que nunca havia deitado minha carcaça judiada em nada parecido. O colchão me abraçava como uma avó gorda e carinhosa. As fotos de famílias felizes e bem-dormidas que ornavam as paredes do recinto incentivavam meu bocejar. Na ocasião, tinha até um segurança particular, que ficou prostrado ao meu lado o tempo todo enquanto eu lá estive. Estranha sensação. Champagne também tinha, mas dispensei. Não gosto. Ainda assim me sentia com o rei na barriga e nas pálpebras. Acendi o abajur, peguei um livro e o controle remoto da cama. Inclinei o encosto até a posição de leitura, elevei um pouco as pernas. Sentia-me cansado. Ninado pelas letras de Ernest Hemingway em versão hispânica, depois de duas páginas de El Viejo y El Marembalei no sono dos nobres. Puro luxo. O modelo que me confortava era o Match 2 Motores, que vem com controle remoto acoplado para articular as costas, as pernas ou os dois simultaneamente; base feita em malha metálica de aço com 20 mil pontos de junção que promovem uma contrapressão na musculatura proporcionando relaxamento; 

Match 2 Motores vem com controle remoto, base feita de malha metálica,
colchões independentes, revisteiro, porta-MP3...
colchões independentes para que cada componente do casal se posicione da forma que quiser; o colchão também é “ventilado”, o que permite a evaporação da umidade gerada pela transpiração e, assim, combate o acúmulo de fungos e bactérias; uma vasta linha de acessórios, que vai de revisteiro a porta MP3 Player para ser acoplado à cabeceira; lençóis, edredom e travesseiro de primeira. Posto isso, dependendo dos incrementos, a cama embaixo de mim pode custar de R$ 12 mil a R$ 70 mil se ela for da série Royal, que possui quatro motores (com articulações para cabeça, costas, joelhos e pés), sistema de climatização que aquece o colchão na temperatura desejada e conta ainda com um sensor que detecta se o dorminhoco saiu da peça há várias horas e aquece a cama automaticamente a mais de 40º C. No fim das contas, dormir bem é essencial. De Arnaldo Jabor a Faustão, passando por Jô Soares e Zeca Camargo, todos já passaram pela loja para conferir camas desse quilate. E agora eu me juntei a lista tão seleta...


















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Cama chinfrin 
Na noite seguinte, às 19:00 hs, lá estava numa fila na Rua Norma Pieruceno Gianotti, na Barra Funda, distante alguns quilômetros da cama-celebridade da noite anterior, sentado no chão de terra batida. Ali, disputava uma vaga com o José, o Jorge, o Lula – um pernambucano com nome de presidente e cara de rei, praticamente um sósia de Pelé – e outros 500 moradores de rua que freqüentam diariamente o Oficina Boracea, maior abrigo municipal da cidade. Passei a garrafa de pinga moribunda ao impaciente sujeito sentado à minha esquerda. Antes de dar um gole, ele fez o sinal da cruz com a garrafa e disse: “Bem que a vaca da minha madrasta falava: ‘Estuda, Jorge, senão você vai puxar carroça”. Depois do trago, Jorge emendou, ainda mais indignado: “Quer saber, o cara que vendeu essa pinga devia tomar um tiro na cara. Essa porra é muito ruim”. De cachaça eu gosto, mas depois dessa achei melhor nem experimentar e passar logo o mé para o José, que estava sentado á minha direita. A especiaria em questão cheirava a querosene. Enquanto esperávamos, Zé contou, com direito a repetições, o rolê que fez a pé até Santos, pra ver qual era a da Baixada, de chinelo e sem uma manta, e que teve de dormir na estrada, moqueado na cabine do telefone de emergência, sob chuva, frio e rachadas de vento proferidas pelos caminhões que desciam a Via Anchieta. Depois de duas horas e meia, a fila andou. Entrei num grande galpão, onde apresentei meu R.G. ao assistente social, passei por um pátio que tinha uma capelinha, era recheado de bancos e cercado por vários galpões. No refeitório, tracei afoito um pratão de arroz, feijão e uma mistura de carnes, tudo acompanhado por um copo de suco de guaraná. O arroz estava um pouco duro, mas a carne e o feijão bem temperados e apetitosos – com exceção dos pedaços de lingüiça, que mais pareciam o dedão do pé inchado de um náufrago. Duro de engolir.
     
Já em outra fila, espero por mais uma hora pela liberação de uma cama. A prefeitura oferece aos moradores de rua um curso profissionalizante, almoço e jantar, estacionamento para carroça, canil para os vira-latas dos mendigos, banho e lavanderia industrial. Tudo gratuito. Por volta das 23:30 hs, sou encaminhado para um dos quartos repletos de beliches baixos de metal. Tudo escuro. Subo em meu leito, um colchão fino encapado com couro sintético, um lençol e um cobertor daqueles que se usa em mudanças. Não tinha travesseiro. Observei em volta e aprendi que o truque era amontoar suas coisas debaixo do colchão na região da cabeça. Havia quem usasse as muletas para tal. No ar, um cheiro de chulé comunitário, de pés que vagaram à deriva o dia todo pela urbe. Levado pelo som da orquestra de ronco composta por 78 traquéias, pontuado por peidos esporádicos e tosses ébrias, custo um pouco para embalar no sono dos pobres. Puro lixo. Sentia-me cansado. Aliás, eu, que raramente lembro de meus sonhos, nesta noite pela primeira vez na vida tive um sonho que demorei a perceber que era sonho. Pensei que aquilo acontecia de verdade. Apesar de não ter bebido, quando fechava os olhos sentia vertigem. O beliche balançava como um pêndulo descompassado. Agarrava-me às grades da cabeceira e a sensação não passava. Quando abria os olhos, a vertigem ia embora. mas vinham os gritos agonizantes de uma criança: “Eu quero sair daqui, pai, não agüento mais. Quero ir embora”. Só consegui dormir profundamente quando percebi que isso não estava acontecendo de verdade. Se alguém for capaz de interpretar esse sonho, sinta-se à vontade. Algo me diz que ainda refletirei um bocado sobre ele...

Às 6 da manhã em ponto as luzes se acenderam. Acordei assustado. A movimentação intensa começa logo. Eu demorei um pouco mais. Digeria a noite que havia passado, muito bem dormida por sinal. Sei que soa piegas e pouco adiantaria, mas minha vontade é levar um dos poucos milionários do Brasil para dormir uma noite ao lado dos milhares de Josés, Jorges e Lulas, o que seria uma experiência no mínimo enriquecedora. Já o Jorge eu não levaria para dormir na melhor e mais cara cama do Brasil. Ele não merece. Geraria muita angústia. Mais que isso, geraria violência – e isso ninguém quer. Mas bom mesmo seria se todo mundo, do José ao Zeca, dormisse todas as noites onde eu durmo. Num colchão decente com um teto, um travesseiro, um cobertor, um copo d’água e cercado das coisas que eu gosto, minha namorada, meu skate, livros, discos e revistas. Um sono justo. Mas estranhamente isso soa como utopia. 

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